A
Arena completa um ano de sua inauguração sem ter lotado uma única vez, com
média de pouco mais de 20 mil pessoas e uma série de polêmicas principalmente
fora de campo.
O maior público do estádio foi na inauguração, no amistoso
com o Hamburgo, com mais de 60 mil pessoas. Este fato nos coloca no primeiro
problema da Arena: no duelo da Libertadores, com a LDU, com o setor norte
liberado, sem cadeiras, a avalanche, tradicional comemoração da torcida, rompeu
a grade de proteção na beira do gramado. Sete pessoas ficaram feridas. A partir
deste momento, a arquibancada norte passou a ser assunto.
O Ministério Público gaúcho acompanhou a situação de perto.
A Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros eram à favor da colocação de cadeiras
no setor. O clube se posicionou contra e uma longa negociação se iniciou. O
setor foi reaberto, mas com capacidade reduzida, por conta da instalação de
barras antiesmagamento. De cerca de 10 mil pessoas, caiu para 5,5 mil. A
capacidade total foi de 60,5 mil para 55,5 mil pessoas.
A meta era que a média de torcedores fosse de 40 mil
pessoas. Nesta temporada, a média passou dos 20 mil: foi de 25.012. Pouco houve
de evolução na tentativa de fazer o estádio ser lucrativo. No entorno da
esplanada, só a loja do Grêmio, ainda improvisada. A Calçada da Fama passa
despercebida aos torcedores. Da relação mais estreia com o Olímpico, saiu
apenas o letreiro de "Campeão do Mundo".
Esse atraso acontece por conta da renegociação contratual.
Ainda no início do ano, o presidente Fábio Koff pediu que o contrato com a OAS
fosse revisto. As partes travaram uma longa negociação em diversos pontos - os
dois principais, que o Grêmio passa a pagar R$ 12 milhões no primeiro ano de
Arena, ao contrário dos R$ 43 milhões previstos para a migração e que o clube
terá participação nos empreendimentos imobiliários construídos pela
construtora.
Em junho, em uma entrevista coletiva na Arena celebrou o
acerto. No entanto, as conversas continuaram e o novo acordo ainda não foi
assinado. O clube, em sua vistoria final, apontou cadeiras descolorindo antes
do aceitável, 1,4 mil assentos em falta e cerca de 400 pontos cegos no estádio.
A promessa é que o novo contrato seja firmado nos próximos dias. A partir daí,
são 90 dias para que o Tricolor se mude "de mala e cuia" para a Arena
e deixe a área do Olímpico. Além disso, o prazo é o mesmo para a implosão do
estádio e também fim das obras do Centro de Treinamentos, que está sendo
construído em frente ao novo estádio.
O gramado, que foi trocado recentemente e ficou com aspecto
ruim, também foi problema no início do ano. O tempo melhorou o
"tapete" e deixou os jogadores desfilarem qualidade.
Futuro de soluções
O ano de 2014 promete crescimento do novo estádio. Com o
novo acordo, a comercialização dos "naming rights" e dos pontos
comerciais no local são esperados. O que melhoraria o fluxo de caixa do clube e
da Arena, empresa gerada da parceria entre Grêmio e OAS. O restaurante com
visto para o campo, prometido durante as obras, também deve sair do papel.
Ainda em dezembro, o torcedor tem novidades. O clube gaúcho
abrirá o Arena Tour no dia 13 de dezembo. Dará a chance dos torcedores
conhecerem as entranhas do estádio. A ideia é que o passeio dos tricolores
acabe na nova loja, quatro vezes maior que a do Olímpico, que gera cerca de R$
1 milhão mensais aos cofres.
No primeiro ano de estádio, o Tricolor fez 31 jogos na nova
casa, com 18 vitórias, oito empates e cinco derrotas. Aproveitamento de 66%.
Foram 38 gols marcados - Barcos e Kleber, com sete, são os artilheiros do novo
estádio -, contra 18 sofridos.
