Inaugurada em 8 de dezembro
de 2012, a Arena do Grêmio é apenas parte do projeto
idealizado para o novo estádio tricolor, que prevê ainda um centro de eventos,
hotel, shopping center, centro empresarial e complexo residencial. No entanto,
ainda não existe previsão para que tudo seja concluído. Junto a isso, o
Ministério Público do Rio Grande do Sul contesta na Justiça o valor destinado
pela OAS (responsável pelo empreendimento) para compensações ambientais.
A mobilidade também é um problema, e os custos para estas
obras são estimados em R$ 80 milhões. Uma comissão composta por parlamentares,
dirigentes, representantes da prefeitura e da administradora do estádio
vai a Brasília na próxima semana em busca desses recursos.
Desde a inauguração do estádio, o trânsito no local é
considerado um problema. Obras incluídas no PAC de Mobilidade Urbana estão
sendo realizadas para melhorar o acesso, mas a inauguração da BR-448 (rodovia
do Parque), prevista para dezembro deste ano, deve complicar a situação, já que
desemboca bem em frente ao estádio.
A nova rodovia será uma alternativa construída para
desafogar a BR-116, mas a prefeitura conversa com o governo federal em busca de
alternativas que possam compensar o volume de tráfego que passará a circular
pela região, que já fica congestionada em dias de jogo.
Nem mesmo o estádio funciona em sua plenitude. Os pontos
comerciais da esplanada não começaram a funcionar por conta da liberação tardia
do Habite-se (parcial), com 120 dias de atraso, após incidentes com a avalanche
da torcida na Geral. De acordo com o projeto, são 28 mil m²
de área comercial disponível no estádio. Até agora, apenas a loja do
clube funciona no local.
No projeto estavam previstas 5,3 mil vagas de
estacionamento, mas só existem 2,5 mil vagas para o público em geral, ao custo
de R$ 30, e mais 1 mil vagas para os proprietários de camarotes, que pagam R$
1,8 mil por ano. Quem preferir estacionar na rua paga a flanelinhas ou a
garagens entre R$ 30 e R$ 40, em média. O Habite-se de todo o
empreendimento será entregue quando as obras forem totalmente concluídas.
Essa dificuldade em tocar o projeto, que não conseguiu nem
comercializar o naiming rights da Arena, pode ter relação com a atual diretoria
do Grêmio, que tomou posse criticando a gestão anterior. O presidente Fabio
Koff renegociou 14 pontos do contrato com a OAS, em junho, e só então passou a
dizer que o estádio era do clube tricolor. O prazo para essas mudanças vence
dentro de aproximadamente 15 dias.
Junto a isso, na semana passada, Eduardo Pinto deixou a
presidência da Arena Grêmio para assumir a gerência de
negócios da OAS na região Sul. As operações do estádio foram assumidas por
Felippe Padovani, interinamente. A empresa e o clube foram procurados pelo Terra para
falar sobre o assunto, mas nenhum dos dois quis comentar.
Além do estádio, o Projeto Arena Esportiva prevê a
construção de apartamentos, centro de eventos, shopping center e um hotel. A
primeira fase do empreendimento imobiliário já foi toda comercializada. São
três condomínios com sete torres, vendidos a um preço médio de R$ 200 mil. Hoje
já valem até R$ 380 mil. Segundo corretores imobiliários, a segunda fase deve
ser lançada em breve, mas ainda não há previsão para o restante.
Mas essas obras ainda sem previsão de entrega podem atrasar
ainda mais, já que o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) entrou com
ação judicial contra a OAS, demais empresas envolvidas no projeto e prefeitura,
porque o município assumiu a responsabilidade por obras de compensação pelo
impacto ambiental.
O valor dessa contrapartida é baseado no custo total do
empreendimento. A empresa afirma ser de R$ 613 milhões, mas o MP diz que o
valor atualizado é de R$ 900 milhões. No entanto, a ação está parada na
Justiça há mais de seis meses por conta de uma discussão sobre qual instância teria
competência de julgar o caso.
Tendo em vista os problemas que o bairro do Humaitá - onde
foi construída a Arena - tem enfrentado, no começo de
agosto representantes do Grêmio, da OAS, parlamentares e gestores públicos
se reuniram para conhecer um levantamento feito pelo próprio clube sobre as
melhorias necessárias para a região. O custo é estimado em pelo menos R$ 80
milhões.
Foi cogitada a possibilidade de levantar recursos por meio
de emendas federais e uma comissão foi criada para conversar com o ministro do
Esporte, Aldo Rebelo, em busca dos recursos.
