Quando o Grêmio entrar em campo na quarta-feira para o jogo
decisivo contra o Corinthians pela Copa do Brasil, das cadeiras azuladas da
Arena a torcida ainda comentará o duro confronto verbal que se iniciou no fim
de semana e estourou segunda-feira entre o presidente Fábio Koff e o
ex-presidente Paulo Odone. No fundo de tudo isso está a demora em fechar a
renegociação contratual com a OAS que aliviaria os cofres do clube e poderia,
por exemplo, redefinir os preços dos ingressos no estádio. A previsão é de assinatura
na próxima semana.
Foi em meio ao constrangimento de declarações como
"o Grêmio tem que pedir para treinar e pagar para jogar na Arena",
que o presidente Fábio Koff se reuniu no Estádio Olímpico com o
diretor-superintendente da OAS/Arenas, Carlos Eduardo Paes Barreto.
Uma nova reunião está marcada para quarta com o
objetivo de avançar na renegociação contratual, que está há quase 10 meses em
discussão.
– O meu lado é o Grêmio, não quero saber quem está do outro
lado. Não poderia ficar calado. Reclamei diretamente para a OAS. Não sou
candidato a nada politicamente, para cargo nenhum – declarou Koff, furioso pelo
fato de Odone
ter tomado a defesa da empreiteira e declarado que é o Grêmio quem
deve R$ 60 milhões à OAS, e não o contrário.
– Tudo será quitado. Mas os valores devidos serão pagos pelo
que está acordado nos novos termos do contrato que será assinado – disse o
dirigente.
Com relação à redução dos preços dos ingressos já para o
jogo contra o Corinthians, pela Copa do Brasil, a OAS alegou que não havia
tempo para providenciar a mudança dos preços – o que deixou o presidente
contrariado. Provocou também a vinda do representante da OAS à Capital.
O ex-presidente Odone, porém, se disse veementemente
contrário à redução de ingressos. Segundo ele, a Arena só é viável com o
aumento do quadro de sócios. Só depois, sim, seria possível aliviar os preços.
– O Grêmio não devia solicitar a redução dos preços agora. O
que dirá o associado? Como manter ou conseguir novos sócios se outros
torcedores pagam preços baixos na Arena? Só um contingente de 100 mil ou 200
mil sócios vai sustentar o clube – discursou.
De acordo com o ex-dirigente, nem ele e nem a OAS entendem a
demora do presidente Koff em concluir o novo contrato e, por isso, custa a
acreditar que as relações entre clube e empreiteira sejam sadias neste momento.
– O que o Grêmio ganha quando o seu presidente diz que não
pode treinar na Arena? É um desastre essa declaração. Nunca vi negociar por
microfone. O Grêmio já fez mais de 40 treinos este ano no Humaitá. Basta
avisar, comunicar, com todo o bom senso. Não precisa pedir licença – reforçou
Odone.
Procurada por Zero Hora, a direção da Arena
Porto-Alegrense, por meio de sua assessoria de imprensa, declarou que não
se manifestaria sobre o assunto. Prática recorrente desde a troca de
gestão da empresa, antes liderada por Eduardo Pinto, e agora presidida por
Felipe Padovani. Também procurado pela reportagem, Carlos Eduardo Paes Barreto
não atendeu as ligações.

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